sexta-feira, 30 de março de 2012

O que é um filho ingrato? Ou talvez, magoado?


De todas as dores que me atormentam durante as noites e madrugadas, e ultimamente tem sido constante, essa é de todas a pior. Não sei porque permito essas coisas, embora saiba exatamente do que elas são capazes. É tão estranho pra mim, ver sair dos lábios de quem tanto me fez acreditar em coisas maravilhosas, ouvir essas coisas agora. Talvez no fundo eu queira punir mesmo. Mas até quando?? Quando posso desistir e pedir pra parar?
Eu sei que é difícil entender essas linhas loucas, mas não posso ser mais clara que isso, ou talvez não sei como ser. Ainda existe uma parte de mim - provavelmente eu toda - que está imersa ao orgulho. Orgulho que não me deixar dizer o quanto eu sou fraquinha, o quanto estou sangrando por dentro, o quanto gostaria de pedir desculpas e de pedir pra voltar, pra alardar que eu desisto, que todos são maiores e mais fortes(...) Mas não posso fazer assim, não posso simplesmente chegar com essa cara e dizer, e fazer, e tentar, e eu nem sei porquê!
Só sei que ela não é a única que sente essa dor e essa tristeza que ora sim, ora não, vejo no seus olhos de Amelie Poulain. Só sei que ele não é o único que sente essa solidão.
Quer saber mesmo??
Eu não tenho ninguém. Ele tem ela. E ela tem mais alguém, que pode até não estar mais depois de um tempo, mas aí haverá mais alguém que aparecerá e ocupará o tal lugar e ela nunca estará só. E ele nunca estará só também. E todas as outras pessoas tem mais alguém. Eu sei. Eu ouço o toque do celular. Eu vejo as fotos nos murais. Todos estão lá, e eu estou aqui, tentando apenas continuar. E pode acreditar, está cada vez mais e mais difícil.
Mas o pior, é ter que desmontar tudo, desconstruir, desmistificar, desacreditar(...) tudo que me fez "ser". Então me pego sentada numa velha cadeira preguiçosa de pano, olhando as gotas de água que caí numa tarde chuvosa. Me vejo pensando em quem sou eu naquele dia, naquele exato momento, porque eu já não sei. E eu falo sério. Eu não sei mais quem eu sou e isso dá um nó na minha cabeça. Tento lembrar de algumas coisas que venham do passado, parece bom, mas não é mais eu, porque tudo que ele me disse pra acreditar, não existe mais. Ele não é mais quem era e eu me sinto enganada! Enganada! E ele, que deveria me amar mesmo assim, além e apesar de tudo, prefere ignorar, ao menos é assim que eu sinto, quando me evita. Me magoa. Mas ninguém liga se eu sinto alguma coisa, porque parece que pro outros eu não sou "alguém", parece mais que eu sou um robô, sem emoções, sem sentimentos. É assim que querem que eu continue, que sinta o "desprezo", os cortes dolorosos das palavras e não sinta nada. Que ignore(...)
Mas como é tão fácil assim?? Eu sei que não passo agora de alguém frio. Mas pegue meu livro de memórias, veja as minhas experiências, eu dúvido que veja alguém sem coração por lá e com certeza encontrará no final um coração estraçalhado e sem condição de conserto, por pais, irmãs, amigos, amores, etc.
Não houve nenhuma relação independente da forma, que não tenha me magoado. E ai eu pergunto onde coloco?

Sinto como se eu fosse incapaz de amar, mas ainda acho que consigo gostar daqueles que não me conhecem e que parecem tão massacrados pelos outros e pelo tempo como eu. Destes eu compadeço e consigo sentir alguma coisa, talvez pelo querer que fizessem comigo. Embora, acho que já sou um caso perdido. Então penso no que li outro dia: "Um filho ingrato, é uma punição ou uma prova?" eu eu troco por: Um filho magoado, é uma punição ou uma prova? Se disse que é uma punição volto a sentir meu coração sendo pisado pelos meus próprios pés pra terminar com os farelos, se acaso achar que é uma prova, sinto colo que apenas juntasse os cacos, mas não mudará nada.
Enfim, sinto muito.
Sinto muito porque não gostaria de contribuir pra essa dor no coração de quem eu sei que deveria amar. Mas já não sei o que quer dizer essa palavra. Na verdade já faz um tempo que ela não me diz nada e não passa de apenas uma palavra. Um horizonte inalcançável. Uma inspiração pros poetas.
Sinto muito pois essa tortura que eu tô fazendo, eu também to sentindo.

(...)

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