A casa está vazia, vejo o reflexo na tela da televisão fechada, o violão dentro da capa está imóvel bem na minha frente a poucos metros de mim. Olhar, admirar... parece o mais conveniente a fazer. Comigo sobre a cama estão livros, cadernos, agendas, bíblia, documento, fotos, pastas, panfletos, informações, conceitos. Nada me chama a atenção, nada me interessa. Passo a mão sobre meus cabelos, uma ansiedade sem fim consome minha alma dividindo espaço com um vazio do tamanho da tristeza que também repousa dentro de mim.
Não, eu não quero isto!
Porém, ao mesmo tempo que tento rejeitar o que estou sentindo, rejeito cada objeto, cada possibilidade que me ronda.
Tédio??
Em parte sim.
Mas existe algo mais... Complexo o bastante para conseguir explicar. Porque ninguém é capaz de racionalizar, apenas sentir. Pode pensar que é clichê, contudo é apenas o que me vem a mente para escrever, pois todo meu pensamento já está ocupado. Balanço mais uma vez o rosto, para voltar a concentrar-me nesta postagem, essa concentração que busco é difícil, afinal como mencionei antes, a lembrança me puxa outro assunto, uma esperança, provavelmente inalcançável.
Creio que penses que sou pessimista... Um dia, de fato fui. Por maior parte, fui otimista.
Agora?
Já não sei bem dizer, se o copo está meio cheio ou meio vazio.
Apenas observo.
Apenas desejo.
Espero.
Nem tudo depende exclusivamente de mim. Algumas coisas precisam ser conquistadas, mas como conquistar algo que já foi conquistado por outra pessoa?
Continuo aqui, indecisa, incompleta, confusa, indiferente...
Melhor seria ligar o som no máximo volume, gritar alto e forte, de tal maneira que acordasse todos os deuses de todas as culturas para que me atendessem, mas quem sou para merecer tal graça??
Nem eu mesma sei quem sou, quem fui ou quem serei...
"Ser" bem que podia ser estado de espírito! Assim sendo, sou uma fria e vaga luz triste.
É exatamente assim que me sinto, é exatamente assim que vejo meu espírito nesse momento, sem forças para materializar e caminhar, ou talvez daqui a pouco me invada essa força para caminhar, mas para caminhar para o oposto, sim, para o oposto. É um processo difícil mesmo assim possível. Apesar dessa colocação peço que não tire conclusões, não mencionei o quê ou onde é o oposto. Se o oposto é bom ou não, é apenas uma questão de conceito.
Embora reconheça nas minhas próprias palavras a possibilidade de agir, ainda estou entediada demais para acreditar nelas.
Que devo eu então fazer??
Olho mais uma vez o violão...
Ahh, música, a linguagem da alma!!!
Até meu mais precioso prazer rejeito.
Minha flor de peso-de-porta me sorri, ela não sabe que estou cansada demais e triste para ver beleza em sua imagem inanimada. É de fato, enfadonho manter-me como estou. Seria muito melhor ser insensível. De modo a não se apegar a nada nem ninguém, apenas viver como as ninfas soltas, livres, correndo com o vento, sem passado nem futuro, sem querer estar com alguém que interessa... apenas brincando, vivendo a liberdade de se comprometer apenas consigo. Porém, nasci com este coração que me ocupa o peito! Este coração frágil e adocicado. Que gostaria de acolher praticamente todo o mundo, que me faz prisioneira de quem o cativa!
Que tem isso de ruim?
Simplesmente TUDO...
Simplesmente o que não dá pra explicar ou verbalizar, apenas sentir, e é uma dor. Que vai além de nosso corpo... no início é belo e maravilhoso, mas no momento seguinte é mórbido e infeliz. Assim como disse José de Alencar " tem na doçura o veneno".
E espero que concorde comigo de que não é em seu todo assim, apenas uma parte, esta parte de hoje, de agora. Que me parte o coração e feri a alma. Que me rende a esperança e me tranca as mãos. Que me arranca do seio confortável do sonhos e me joga no labirinto do pesadelo. Pois até que eu encontre a outra face, daquilo que hoje me toca.
Se um dia encontrarei, de fato não tenho certeza!
Contudo, espero que me encontre.
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