terça-feira, 29 de março de 2011

Não faço uma lista com meus objetivos e prego bem em cima da minha cama. Não faço anotações das coisas especiais - já fiz, de fato! mas já não mais. Não paro pra pensar no futuro como fazem outras pessoas. Penso em como será minha vida daqui há alguns anos enquanto ando por ruas asfaltadas ou quando consigo sentar em um ônibus lotado e trafego pelos percursos urbanos... Nesses breves segundos, imagino como estarei, quem será as pessoas que me rodeará, o que eu gostarei mais, penso que caminhos levará meus pés, se estarei fazendo o que gosto, se ainda acreditarei nas mesmas coisas, penso nas escolhas que terei feito, que opções terei abandonado, o que de hoje ainda restará.

Nesses pensamentos que por rápidos instantes me submeto, não consigo definir nada, supôr nada, crer em nada... A única impressão real e quase tocável é que não tenho certeza! Não tenho a menor certeza do quê serei, de "quem" serei nos próximos anos. Mas algumas coisas eu sei exatamente:

Eu nunca vou casar.

Eu nunca vou ter filhos.

E consequentemente nunca vou contar estórias aos meus netos.

Eu nunca vou ser famosa.

Eu nunca vou ter minha biografia publicada.

E consequentemente minha vida nunca será conhecida realmente por ninguém além de mim.

Eu nunca vou fazer um aniversário de cinquenta anos.

Eu nunca vou visitar a Noruega ou a Basílica de Lourdes.

Eu nunca vou ajudar um viajante em minha propriedade.

E consequentemente nunca vou receber um sábio ensinamento dele.

Eu nunca vou saber o que meus sonhos significavam.

Eu nunca vou ser o sonho de alguém.

Eu nunca vou fundar um projeto social.

Eu nunca vou salvar uma vida.

Eu nunca vou dizer eu te amo pra alguém que não seja da minha família.

Eu nunca vou fazer alguém me amar de verdade.

E consequentemente nunca vou ouvir eu te amo de alguém que não seja da minha genética.

sábado, 12 de março de 2011

Apenas mais uma do Chico.

É estranho, mas às vezes nos deparamos com canções que expressam exatamente o que sentimos, o que calamos nos lábios ou gritamos ao vento, às vezes simplesmente descrevem perfeitamente um determinado momento em nossa vida. Nossa vida particular. Como se sua construção fosse especialmente para nós! Tão singular quanto nossa própria alma...
De uns tempos para cá, tenho ouvido muito mais música que antes, tenho feito dos sons uma grande e agradável companhia. Não que antes não fosse, era sim! A diferença é que agora é mais intenso. Não há nenhum motivo especial, glorioso ou compaixoso, apenas estava olhando tudo ao redor em preto e branco. E a música, está me permitindo pintar cores^^.
Tenho apreciado, quase como terapia, as canções do Chico Buarque. Suas melodias, suas letras... chega a lavar uma pobre agonia. A minha agonia! Não ouso crer que ele criou qualquer uma de suas belas músicas para mim. E é justamente isso que me faz aproximar ainda mais de suas composições e admirá-las com mais entusiasmo. Pois penso que embora descreva tal e qual o momento que vivo, que vejo, que participo, sei que não se trata de mim. Não foi eu quem escreveu, não foi eu que inspirei, não é de fato a minha história. Trata se de outro alguém, que viveu exatamente o que vivo, que passou pelo que passei ou passo. Então sei que não sou a unica, que as decepções ou exaltações não são exclusivas para mim, que efeitos de momentos são efeitos de momentos, ora preto e branco, ora sépia, ora colorido, ora claro, ora escuro, ora nítido, etc.
Aos pouquinho vou reparando com atenção. E assim, também de mansinho, a voz do Chico me faz contemplar muito além de canções!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Das cinzas e o pó, a Liberdade!




De repente todo o pranto e o choro sufocado e triste se desfez.
Toda a culpa e arrependimento foi soprado e arrastado pelo vento.
Ainda não há brilho, mas as imagens em preto e branco ganham cores,
e um calor confortável seca tudo que já foi derramado.
A FLor, enfim, desabrocha!!