domingo, 30 de março de 2008

O CENTRO DE MUITAS FACES

Entre o passa-passa apressado de corpos e olhos atentos aos descontos enganosos do comércio, o Centro parece um atolado de prédios esfarrapados, com suas ruas cheias de camelôs ambulantes e suas mercadorias expostas à cada ângulo urbano disputando travessias com grupos de adolescentes estudantes à procura de passa tempo como enamorar os produtos congelados da vitrínes. Os esbarros e resmungos também fazem parte do ritual sagrado do lugar coberto por um calor incômodo, que esconde um Centro interrompido...
Um Centro de artistas mambembes instalados na na Praça José de Alencar, dando vida com suas acrobacias, malabares, mágicas, piadas e truques inventados para prender a atenção dos passantes. Um Centro de encontro para o resgate do passado em meio as conturbações paradoxas das ruas, contempladas pelo aposentados da Praça do Ferreira. Um Centro de lendas e mitos soltos como névoas que são capazes de envolver sutilmente e embaraçar o olhar de real, permitindo apenas vislumbrá-lo com o poder invisível da imaginação. Um Centro de formação estudantil e pessoal que incentivou e motivou tantos jovens, que tornaram-se figuras importantes para o desenvolvimento político-sócio-cultural do nosso estado, que hoje quase pode se rever encarnado na fachada, letreiro, salas, colunas, pátio e corredores do Liceu do Ceará, visto apenas de relance.
Um Centro de narrativas periféricas, cochichadas pelos seus prédios maltratados pelo tempo; construções; ruínas; travessas; becos; tudo... que se refaz a si próprio todos os dias no seu caótico e compacto espaço democrático. Um Centro de memórias histórias expostas ao ar livre, transmitindo para as novas gerações fatos verídicos de horror, glória, medo, espera,crueldade, saudade, aplausos, conquistas e derrotas...como as encenadas no Teatro José de Alencar, palco de tantos espetáculos grandiosos, que despertava o sonho de seu antigos freqüêntadores: a elite burguesa de séculos atrás. Ou como as do Passeio Público, sobre a existência de em baixo da construção ilustre e bela de seus símbolos, jardins, estátuas, fontes, e calçadão encontra-se uma cela que servia de prisão para mártires além de ponto de espera das esposas e namoradas dos marinheiros e pescadores que partiam para sobrevivência no mar.
Um Centro invisível e profundo que escapa à visão imediata, no qual mais parece um museu sem paredes, constituído de várias salas isoladas e interligadas na formação de seu conteúdo , formas e histórias. Um mar lírico urbano contornado por espaços como o Beco da Poeira, o Cemitério São João Batista, Galeria Pedro Jorge, a monumental construção gótica de torres frontais e encastelados sinos da Catedral Metropolitana de Fortaleza, entre tantos outros.
Um Centro da Cidade que é preciso tempo e atenção para enxergar as suas muitas faces.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Editorial

O poeta Cassiano Ricardo pergunta em um de seus poemas: "O que é poesia?", e ele mesmo responde: "Uma ilha cercada de palavras por todos os lados". Imitando o poeta, poderiamos perguntar: "O que é o homem?", e não seria absurdo se a resposta fosse: "Uma ilha cercada de linguagens por todos os lados".
Por meio de diferentes linguagens(verbal, pictória, gestual, musical, cinematográfica,etc), as pessoas se comunicam e interagem entre si, traduzindo e expressando suas emoções e sentimentos, idéias e desejos. Diferentes linguagens estão por toda parte: na conversa da esquina, no rótolo de refrigerante, na fotografia do porta-retrato, no poema, no pé do sambista, no autdoor, em tudo e principalmente nos meios de comunicação de massa.
Por isso é válido lembrar que esses meios muito influênciam a sociedade e serve também como base do cotidiano pessoal dos indivíduos. É até quase impossível não encontrar nas casas da população brasileira, independente de sua classe social, uma ou mais televisões. Porém, mesmo com várias opções de entretenimento na mídia, nós (eu: Hortência, Vanessa e Raissa), sentimos que ainda falta muita coisa pra mostrar, não gostamos de tudo que vemos e lemos por aí, principalmente quando se trata de algo referente ao que rodeia nossa convivência. Daí, partiu nossa idéia de criar esse blogger, voltado para o público estudantil do colégio Liceu do Centro, na intenção de gerar uma forma de envolver os alunos em um cenco comum, que fuja dos padrões originais do jornalismo mercadológico e superficial. Onde nossa visão em relação ao que nos rodeia fique em total liberdade para ser expressada!!! Além de tentar possibilitar o encontro de diferentes grupos sociais existente dentro da nossa instituição de ensino em um só pensamento ou em vários pensamentos críticos diferentes mas integrados ao espaço da sociedade geral.
Bem, como Ethel de Paula, em seu editorial da 1° edição da revista Farol, faço uso da sintetização do filosófo Nelson Brissac "tornar a ver tudo o que foi soterrado pela civilização do glichê".
Sejam bem vindo!!!
Hortência