terça-feira, 29 de março de 2011

Não faço uma lista com meus objetivos e prego bem em cima da minha cama. Não faço anotações das coisas especiais - já fiz, de fato! mas já não mais. Não paro pra pensar no futuro como fazem outras pessoas. Penso em como será minha vida daqui há alguns anos enquanto ando por ruas asfaltadas ou quando consigo sentar em um ônibus lotado e trafego pelos percursos urbanos... Nesses breves segundos, imagino como estarei, quem será as pessoas que me rodeará, o que eu gostarei mais, penso que caminhos levará meus pés, se estarei fazendo o que gosto, se ainda acreditarei nas mesmas coisas, penso nas escolhas que terei feito, que opções terei abandonado, o que de hoje ainda restará.

Nesses pensamentos que por rápidos instantes me submeto, não consigo definir nada, supôr nada, crer em nada... A única impressão real e quase tocável é que não tenho certeza! Não tenho a menor certeza do quê serei, de "quem" serei nos próximos anos. Mas algumas coisas eu sei exatamente:

Eu nunca vou casar.

Eu nunca vou ter filhos.

E consequentemente nunca vou contar estórias aos meus netos.

Eu nunca vou ser famosa.

Eu nunca vou ter minha biografia publicada.

E consequentemente minha vida nunca será conhecida realmente por ninguém além de mim.

Eu nunca vou fazer um aniversário de cinquenta anos.

Eu nunca vou visitar a Noruega ou a Basílica de Lourdes.

Eu nunca vou ajudar um viajante em minha propriedade.

E consequentemente nunca vou receber um sábio ensinamento dele.

Eu nunca vou saber o que meus sonhos significavam.

Eu nunca vou ser o sonho de alguém.

Eu nunca vou fundar um projeto social.

Eu nunca vou salvar uma vida.

Eu nunca vou dizer eu te amo pra alguém que não seja da minha família.

Eu nunca vou fazer alguém me amar de verdade.

E consequentemente nunca vou ouvir eu te amo de alguém que não seja da minha genética.

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