
Entre tantas dificuldades, entre tantas questões, tudo que penso há dias, é naquela pessoa que foi tão importante em meu passado - e de um modo inexplicável ainda é - e agora é como um estranho. Não porque a vida quis assim, mas porque um dia decidiu se tornar um desconhecido para mim e eu fui obrigada a aceitar.
Mas não posso me desfazer das boa lembranças, como diz o poeta branco mais preto do país "os momentos felizes tinham criado raízes". As risadas, os beijos, as brincadeiras, as confidências, as pazes, os amores, os passeios, os bons momentos, as noites compartilhadas, as lágrimas derramadas incessantemente sendo acalmada com a voz doce dizendo que minha amiga me ama, os cuidados quando estive doente, os carinhos, o tempo corrido e os ajuste pra poder nos vermos nos dias livres, os carnavais, os brindes de vinho(...) Todos aqueles anos de amizade, de romance, de belo, puro e intenso amor, desperdiçado numa lata de lixo.
Quanto tempo faz? Um ano? Sim. E ao longo desse um ano, três meses e dezessete dias, eu nunca deixei de me preocupar. Ele faz parte das minhas orações antes de dormir e em muitas noites o vejo em meus sonhos, como antes, como se nada tivesse mudado.
Às vezes imagino como seria se o abordasse em um dia qualquer, se falaria, se tomaríamos um café... na minha fantasia é tudo tão diferente da realidade.
E essa realidade me perturba. Afligia. Chateia. Entristece. Como uma pessoa tão importante em minha vida, dona do meu mais perfeito carinho, do meu amor, pode se afastar tanto assim. Como tantos momentos felizes podem ter dado espaço pra magoas, raivas e sentimentos negativos que não permite nem um pouco de aproximação sequer?
Depois de tanto tempo longe, sem contato, quem será que ele é agora? Será que é o mesmo de sempre, com os mesmos sonhos e os mesmos medos? Será que é um homem diferente de quem costumava ser? Quais serão seus planos atuais? Quais partes dele amadureceram?
Quantas vezes gostaria de encontrá-lo novamente, de abraçá-lo e dizer o quanto ele fez falta todo esse tempo, de como eu ainda gosto tanto dele e seus cabelos cacheados, de como eu estive errada todo esse tempo.
Quantas vezes gostaria que resolvêssemos os problemas e tudo voltasse a ser como antes. Mas existem as mágoas (...) as terríveis mágoas!
Existe o maldito medo do orgulho ferido!
O medo de ir até lá e ser recebida a pontapés.
O medo de que ele me ignore, faça cara feia, ou pior, me trate com indiferença.
Medo dele achar que estou voltando como uma cachorrinha com o rabo entre as pernas(...) Que tolice essa minha, pôxa!!! Eu não aguento mais essa situação. Eu estou sim arrependida. Quero ir até lá. Quero ele de volta! Porque não posso simplesmente telefoná-lo, marcar pra nos vermos e dizer tudo isso?
Porque gosto de complicar as coisas mais fáceis?
Então carrego apenas essa dor no coração em todos os meus caminhos.

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