sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Certeza ou Incerteza

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer!


Álvaro de Campos começa seu poema Lisbon Revisited (1923) com esse trecho a cima. Hoje voltando do laboratório lembrei-me dele. Dessas palavras e conseqüêntemente de uma conversa na madruga com um amigo, onde do nada ele simplesmente me disse: "o ser humano é o único animal que possue a capacidade de saber que no final está a sua morte, como verdade absoluta, e mesmo assim nem [todos] compreendem!". Isso referindo-se a parentes que sofrem com a morte de entes queridos ou indivíduos que não encaram a cara da morte. Claro que não digo que devemos anseá-la, eu mesma morro de medo do momento em que [ela] vai chegar, porém essa é realmente como ele e Álvaro concordam: a única e absoluta verdade. Na qual, independente do que façamos para impedir que chegue, jamais seremos capazes de tal proeza! E muito me pergunto sobre esse assunto, principalmente sobre seu pós. E a cada pensamento percebo que tanto como absoluta certeza a morte também é absoluta incerteza, o mistério, a dúvida. Há quem diga que é uma passagem, que há vida além dela, que depois nada mais existe, que se permanece a conciência e se desfaz do corpo, que retorna-se a Luz... Óbviamente não se sabe!!! Apenas se supõe.
Parodoxo!!!
Um palavra só com sua ambiguidade humana, com apenas um cochete para exprimí-la como é: [in]certeza!!!!

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