Li uma vez num livro sobre filosofia que não podemos confiar em nossos próprios sentidos, eles nos confundem de tal modo que somos capazes de acreditar em coisas questionáveis. Como o que é real e o que não é! De fato, nossa mente que controla nossos sentidos, nos posiciona numa linha estreitamente fina demais entre a realidade e a imaginação. Um bom exemplo, é aquele sonho que você acorda jurando que tudo aconteceu mesmo.
Eu tive um sonho desses...
Estava sentada na calçada, mas não de onde moro atualmente, quando morava na Barra. Tinha amigas ao meu redor, estavamos conversando animadamente. Era noite e o céu estava estrelado, não sei exatamente o quê, mas algo me fez olhar para o céu e eu contemplei uma estrela cadente. Fiz um pedido, sincero: voltar com o juin. E em seguida compartilhei com minhas companhias o que tinha acabado de ver. Estranhamente nos prendemos a observar as estrelas na esperança de ver outra caindo, embora sabemos que é muito difícil na duração de tempo que estavamos esperando. De repente, assim como um vento de "supetão" que levanta a saia do vestido, avistamos uma luz brilhante, que foi ficando cada vez maior e mais nítido o tom de cor. A medida que se aproximava, percebiamos como era grande. Foi quando finalmente identificamos do que se tratava, era um meteoro em chamas. Caiu à uma distancia razoável de nós. Uma enorme cratera abriu-se no chão, e o povo se desesperou. Do céu vinha muitos outros, era uma chuva de grandes e pesados meteoros envoltos em fogo. A rua que inicialmente parecia tranquíla estava coberta de gente apavorada em gritos, o som era ensurdecedor e o pânico assolava todo meu ser. Segurei a mão da minha irmã e chamei para fugirmos. No meio do tumulto encontramos a tia gaíde, tentei ajuda-la a fugir também, levando-a para minha casa, porém ela se recusou, preferiu ficar na casa da tia lourdinha. Não contestei, pedi para ela ter cuidado, fechar as portas e de maneira nenhuma olhar para fora. Enquanto tentava escapar daquele caos, ouvia o tocar de trombetas, só conseguia pensar que era o fim do mundo, o apocalipse. Eu considerava que simplesmente sabia que tudo aquilo, todos os gritos, sofrimentos e mortes faziam parte do juízo final. Conseguimos chegar em casa, a mãe estava lá com a gabi. Trancamos todas as portas e fechamos as janelas, mas no sonho elas eram de vidro e podia-se ver através delas e minha mente avisava que não podiamos ver como Deus iria julgar as vivos e os mortos. Então, catei todos os meus lençóis e juntamente com lissa cobrimos todas as janelas, tudo era escuro... algo dentro de mim dizia que não veriamos mais a luz do dia, não ia amanhecer, que tudo aquilo era um final. Rezei e sentia que cada vez mais era certo o adeus. Sabia que estava apenas esperando a morte. Estavamos no quarto e a lissa tinha um celular - que em meio aquele desastre ainda funcionava... o.O - foi aí, que em meio a todo o medo de morrer, do pós-morte, do fim do mundo, da perda das pessoas queridas, a angustia, a tristeza, o desespero, o pânico, e de tantos outros sentimentos conflituosos, eu tinha um desejo ou uma necessidade, não sei bem como defini-lo, talvez fosse os dois. Eu pedi a lissa pra me emprestar o celular, para ligar para alguém inimaginavelmente importante, ao ponto de dominar meus pensamentos naquele momento. Eu pedia, suplicavelmente para que minha irmã me emprestasse o celular para ligar para o juin. Para saber onde ele estava, se estava bem e principalmente, para dizer que o amo. Para dizer antes que eu morresse, antes que ele morresse, antes que morressemos sem eu dizer pra ele o que de fato sentia. Naquela hora, morrer era inevitável, mas antes que acontecesse precisava dizer, independente de qual fosse o futuro, vivos ou mortos, que eu o amo.
Que eu o amei desde os quatorze anos, quando ele era minha companhia nas escadas quando voltava da faculdade, que amei durante todo o tempo que estavamos ficando e todo o tempo depois... e eu queria que ele soubesse e precisava dizer.
Quando acordei, segurava o celular... não sei se porque o despertador já havia tocado há algum tempo e sonolenta tenha pegado para desligar, ou por impulso do meu desejo inconsciente.
Enfim, não sei ao certo o que quer dizer esse sonho, mas sei que foi intenso e quando acordei, a sensação que senti, era de que não tinha sido sonho, que era real, que estava vivo em mim!
Interpretadores de sonhos... espero resposta! rsrsrs